quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Do mimeógrafo à internet: essa cobra promet


A gente fazia um jornalzinho que falava dos colegas, dos professores, de rock, de festa, de coisas interessantes que estivessem acontecendo no momento. Era mimeografado, e na hora do recreio, quando tinha uma edição nova, tava lá, todo mundo em grupinhos lendo um exemplar pelo pátio do Colégio Estadual de Caratinga. Poucos exemplares, um pra cada turminha de 4, 5...

A gente pegava a grana dos patrocínios e das vendas (é, ele era vendido) e torrava tudo. Jogando sinuca, tomando sorvete, refri e comendo salgadinho, pizza e chocolate; tomando cerveja e pinga com cu-de-burro (algum tempo depois), comprando calça levi's, discos de vinil do Rush e do Casa das Máquinas, indo pra praia (tinha edições feitas especificamente com este fim).

A gente estava nos anos 70.

A gente juntava os aparelhos de som da casa de cada um, gambiarrava tudo e fazia festinhas com o nome de Jararaca Som Discoteque. Eu falei que estávamos nos anos 70?

A gente fumava maconha, tomava bolinha, cheirava lança perfume e tomava chá de cogumelo (essas eram as drogas que a gente conhecia). E tomava bomba no fim do ano porque não dava pra reter informação.

A gente participava de todos os eventos culturais de nossa cidadezinha na época: festivais de música, maratonas culturais, encontros de ausentes, teatro no colégio (gremio estudantil), eleições do Centro dos Estudantes.

A gente entrava em tudo de graça também com uma carteirinha de imprensa que a gente mesmo fez, com decadry, caneta de nankim e xerox bem pretinho. Até num show do Alceu em BH a gente conseguiu entrar com a carteirinha da Jararaca Alegre.

Hoje, a gente se encontra sempre. Sempre que tem uma edição nova da revista Jararaca Alegre, ou um livro novo, ou agora com o lançamento de um site. Aí a gente tenta reunir todos da gente que estiverem ao alcance. Aí a gente se diverte pra caramba.

Sábado passado, em Caratinga, a gente fez uma festona, reunindo duas bandas da gente: Cabeto & The Aligators e Quarteto Namastê. E levamos também um som que fazia a cabeça da gente naquela (nessa) época: uma turma de BH chamada Pink Floyd Reunion que toca músicas do... você sabe quem.

Aí a gente viu uma coisa tão legal. Tava lá a gente, os filhos da gente e em alguns casos, os netos da gente. E os pais de alguns da gente também estavam lá. A festa começou às 2 da tarde, no Stillo Festas e Eventos, gentilmente cedido pelo nosso amigo Rafa, e terminou às meias noite. Teve até eclipse, incrivelmente bem na hora em que o Pink Floyd Reunion tocava musicas do The dark side of the moon. E a gente viu todo mundo se divertindo muito. Hoje, 33 anos depois da primeira edição da Jararaca Alegre, a gente viu todo mundo se divertindo do mesmo jeito que a gente se divertia nas festas que a gente fazia nos terraços das casas da gente. Parece que só o tempo passou, mas as coisas boas, pequenas, simples, como musica, amizade, companheirismo, carinho, respeito, fraternidade, todas elas estavam lá, igualzinho a gente sempre gostou, igualzinho.

Por isso que a gente tá junto até hoje. Trinta e tantos anos de amizade. Trinta e tantos anos de muito rock'n'roll cuja única regra é: curte aí, camarada, perturba não. Quer uma mão?

E a gente vamos por aí. Pra mais outras e outras. Porque embora pessoas achem isso uma caretice, a gente não liga. Porque a gente é feliz e não faz questão de provar nada pra ninguém. E nunca repeliu ninguém que quisesse ser feliz também, junto com a gente.

Bem vindo ao blog da Jararaca Alegre.

2 comentários:

seila disse...

tio camilo, a propósito na foto acima, bem no cantinho do lado de dentro da janela, não é o comandante fausto? aquele mesmo da guarda mirim que hojé é canditato a vereador?

camilo disse...

Não, Seila, aquele é o Raulzito Miranda